
Portugal e mais seis adversários podem sonhar com o título
Falta apenas um mês para chegar 2008, ano que assinalará a realização da 13. ª edição da fase final do Campeonato da Europa, prova que vai arrancar a 7 de Junho sob a organização da Áustria e Suíça (os países anfitriões da competição). Por jogarem em casa, austríacos e helvéticos vão apresentar-se no relvado com uma força extra, mas seguramente não serão os principais adversários de Portugal na luta pelo título europeu, actualmente na posse da Grécia. Das 16 equipas, divididas em quatro grupos de quatro, que vão estar em acção na prova mais importante do “Velho Continente”, há como sempre quem se apresentará com mais argumentos teóricos para conquistar o prestigiado troféu em homenagem ao antigo dirigente francês Henri Dalaunay. Assim, e analisando a história e o presente, consideramos que, além de Portugal (vice-campeão da Europa e 4.º classificado no Mundial), existem seis selecções que, pelo seu valor competitivo, partirão mais à frente que as restantes para alcançarem o título. E uma dessas seis selecções é, como não podia deixar de ser, a Itália que, realista e eficaz como é seu timbre, foi 100 por cento produtiva nos momentos decisivos da fase de qualificação, vencendo os quatro últimos jogos do seu grupo (chegou a última jornada já com o apuramento garantido, tendo apenas perdido sete pontos em 12 jogos).
A selecção transalpina poderá mesmo ser vista como a principal candidata ao título, uma vez que possui um conjunto de jogadores com hábitos de vitória em grandes palcos, devendo contar no próximo Europeu, se não surgir nenhum contratempo, com mais de 10 jogadores que foram campeões do Mundo em 2006 – Buffon, Cannavaro, Grosso, Materazzi, Oddo, Zambrotta, Pirlo, Gattuso, Luca Toni, Gilardino e Iaquinta. A história demonstra que “squadra azzurra” raramente deixa de vencer quando joga bem e muito dificilmente perde quando joga mal, e esta velha tendência faz dela um crónico candidato às vitórias. Outra grande virtude que o actual campeão do Mundo vem demonstrado ao longo dos anos é que, independentemente dos anos, nunca perde a imagem de uma equipa tacticamente rigorosa na defesa e venenosa na arte do contra-ataque.
Concorrente directo da Itália no grupo B, a França tem também de estar no lote dos grandes favoritos porque provou que consegue continuar estar entre os melhores sem Zidane e porque também tem campeões nas suas fileiras. A equipa do controverso Raymond Domenech, que totalizou menos três pontos dos italianos, tem na defesa o seu grande ponto forte – foi a par da República Checa a equipa que menos golos sofreu (5) – e tal como a equipa transalpina deverá poder contar no Europeu 2008 com seis jogadores habituados a vencer nas grandes competições internacionais, como são os casos de Thuram, Makelele, Patrick Vieira, Trezeguet, Henry e Anelka (todos estes jogadores foram campeões europeus e vice-campeões do Mundo). De realçar também o facto de a França continuar a produzir jovens de grande futuro – Benzema, Toulalan e Ben Arfa - que poderão explodir no Euro por terem o apoio de uma retaguarda forte e dos referidos jogadores experientes da equipa. Diríamos que falta apenas um jogador que imite bem Zidane (será que algum dia vai haver?) para que esta França não tenha pontos fracos.
O renascimento grego
Outra selecção servida por campeões é a Grécia que, pelo facto de ser campeã europeia em título e (sobretudo) por ter feito uma fase de qualificação de grande qualidade, apresenta uma força mental que a empurra para o lote dos principais candidatos à vitória (o conjunto de Otto Rehhagel venceu o grupo C, apurando-se para o Europeu 2008 a duas jornadas do fim, tendo apenas perdido cinco pontos, um registo deveras notável tendo em conta que no seu grupo estavam duas selecções acima da média, a Turquia e a Noruega). A formação helénica está a demonstrar a segurança defensiva que lhe permitiu alcançar há três anos a glória em Portugal e capacidade de superação e pragmatismo nos jogos fora, como comprovam as vitórias na Turquia (1-0) e na Hungria (2-1). Tal como no Euro 2004, partirá para a grande competição de 2008 sem nenhuma figura de destaque no futebol europeu, valendo essencialmente pelo colectivo (o facto de o melhor marcador da equipa - Gekas - ter apontado apenas 5 golos de um total de 25, é um bom exemplo da sua forte imagem colectiva).
Não tem uma geração de campeões nos seus quadros, mas em virtude dos seus tradicionais grandes argumentos ofensivos, a Holanda é a outra equipa com direito a estar no grupo dos mais habilitados à conquista do Euro por ameaçar quase sempre ser uma laranja mecânica para a concorrência nos grandes palcos. Contudo, face ao seu percurso irregular na fase de qualificação, não está de momento tão consistente como por exemplo a Itália ou a França (os holandeses tiveram muitos altos e baixos em termos exibicionais, de que são claros exemplos a vitória tangencial, em casa, frente ao modesto Luxemburgo, por 1-0, com uma actuação muito discreta, e o triunfo, por 2-0, diante da Bulgária, com uma actuação de grande nível). Aliás, essa irregularidade acabaria por empurrar a equipa holandesa para a segunda posição do seu grupo (G), que seria ganho pela Roménia. Alemanha cada vez mais forteFalta actualmente à Holanda um n.º10 que faça a diferença e também um líder como era Gullit , Rijkaard, Ronald Koeman e Frank De Boer, mas dada a impressionante qualidade dos actuais extremos (Van der Vaart, Robben e Sneijder) e dos atacantes (Van Nistelrooy, Dirk Kuyt e Van Persie), e do fervoroso apoio dos seus adeptos (normalmente os mais espectaculares nos campeonatos da Europa) a selecção laranja sempre pode tornar-se mecânica.
Transportando o excelente rendimento demonstrado no Mundial 2006, que organizou, a Alemanha é para o Kaiser Franz Beckenbauer a melhor selecção da Europa da actualidade. A opinião do melhor jogador alemão de todos os tempos é de suspeitar, mas não temos dúvidas de que pela sua forte tendência para se agigantar nos grandes eventos e por possuir a melhor geração de jogadores desde 2000, a Alemanha é um mais um candidato de respeito à vitória no Euro2008. O conjunto de Joachim Low fez uma fase de qualificação tranquilíssima, alcançando cedo o apuramento muito por culpa do seu poderoso ataque, que produziu qualquer coisa como 35 golos (destacadamente o melhor ataque na fase de apuramento). Philipp Lahm, Podolski, Schweinsteiger, Kuranyi e Mertesacker personificam o renovado futebol alemão, que parecia entrar em crise depois do insucesso no Euro2004. Se o experiente médio-ofensivo Ballack estiver em forma no Euro 2008 (falhou grande parte dos jogos na fase de qualificação), será difícil encontrar-se um ponto fraco na equipa germânica, que consegue chegar à área adversário com muita frequência (79 remates à baliza na fase de qualificação, um registo que só foi superado pela França e Rep. Checa).
É um facto que costuma vacilar nos grandes eventos internacionais – o melhor que conseguiu desde 1984 foi alcançar a final de um Europeu -, mas a Espanha, pela qualidade individual dos seus jogadores, por possuir a segunda Liga mais competitiva da Europa e por ter demonstrado força nos momentos decisivos na fase de qualificação (vitórias nos últimos quatro jogos) deve ser igualmente colocada no lote dos mais capazes à vitória no Euro2008. Ficar à frente da Suécia e da Dinamarca, marcar 23 golos e sofrer apenas oito, são marcas de respeito dos nuestros hermanos, que muito possivelmente possui o meio-campo mais talentoso da actualidade no futebol europeu com Fabregas, Xavi e Iniesta. A Falta de poder de choque e de um bom recuperador de bolas poderão, todavia, vir a ser um duro obstáculo.
ITÁLIA
Pontos fortes: - Campeão do Mundo- Pragmatismo- Solidez defensiva
Classif Fase Qualif – Primeiro (29 pts/12 jogos – 9V, 2E,1D)
Equipa Tipo: Buffon; Panucci, Cannavaro, Nesta e Zambrotta; Camoronesi, Gattuso, Ambrosini e Pirlo; Luca Toni e Di Natale
FRANÇA
Pontos fortes: - Experiência de jogadores nucleares- Equipa com vários campeões da Europa- Forte poder atlético
Classif Fase Qualif – Segundo (26 pts/12 jogos – 8V, 2E,2D)
Equipa Tipo: Coupet; Abidal, Gallas, Thuram e Squilacci; Vieira, Malouda, Toulalan, e Ribéry; Anelka e Henry
ESPANHA
Pontos fortes: - Médio-campo criativo- A inteligência dos atacantes- Nível de entrosamento
Classif Fase Qualif – Primeiro (28 pts/12 jogos – 9V, 1E,2D)
Equipa Tipo: Casillas; Puyol, Sérgio Ramos, Marchena e Capdevilla; Iniesta, Fabregas, Albelda e Xavi; Raúl e David Villa
HOLANDA
Pontos fortes: - Avançados de luxo- Extremos dinâmicos- Guarda-redes de top mundial
Classif Fase Qualif – Segundo (26 pts/12 jogos – 8V, 2E,2D)
Equipa Tipo: Van der Sar; Melchiot, Mathijsen, Bouma e Van Bronckhorst; Heitinga, Sneijder, Seedorf, Van der Vaart; Van Nistelrooy e Van Persie
GRÉCIA
Pontos fortes: - A auto-estima de ser Campeão da Europa- Coesão colectiva- Contra-ataque
Classif Fase Qualif – Primeiro (31 pts/12 jogos – 10V, 1E,1D)
Equipa Tipo: Chalkias; Seitaridis, Patsaoglou, Kyrgiakos, Dellas; Basinas, Karagounis, Tarosidis, Katsouranis e Salpingidis; Gekas
ALEMANHA
Pontos fortes: - Capacidade ofensiva- Meia-distância- Nível de entrosamento
Classif Fase Qualif – Segundo (27 pts/12 jogos – 8V, 3E,1D)
Equipa Tipo: Hildbrand; Friedrich, Metzelder, Mertesacker e Lahm; Schneider, Schweinsteiger, Frings e Ballack; Klose e Podolski
Undertaker